
Primeira bolacha do blog não comentada por este que vos fala...li essa matéria do "Monstro" em Hard Rock setentista Bento Araújo na net e pirei o cabeção...o cara esmiuça a biografia da banda como poucos...confiram abaixo...
DUST A força nova-iorquina do hard rock!!!
Por Bento Araújo...
Dois moleques conviviam com a violência das ruas do Brooklin, em Nova York, ao mesmo tempo em que se deliciavam com discos das grandes bandas inglesas como Who, Rolling Stones e Cream. Richie Wise e Marc Bell eram muito jovens e quando não estavam na escola estavam ensaiando, tentando alucinadamente tirar as músicas dos ídolos. Nessa época (1968), Marc tinha apenas 13 anos de idade e já tocava sua bateria como gente grande. A dupla estava louca para começar a fazer shows pelos colégios da região mas demorou um pouco até acertar a fórmula com o baixista ideal. Richie lembrou de um amigo maluco que tinha até deixado o colégio para se dedicar “full time” à música e resolveu formalizar o convite com o sujeito. Foi assim que, em 1969, Kenny Aaronson se juntou a Richie Wise e Marc Bell, formando a banda Dust.Depois de árduos e longos ensaios diários a banda resolveu investir em demo-tapes. Uma delas chamou atenção de Domenic Facilia, um italiano espertalhão que passou a empresariar e a tomar conta de cada passo dado pelos garotos. Domenic até que tinha bons contatos e um deles era com Neil Bogart, o executivo que dirigia o selo Buddah Records, uma facção mais “ousada” do selo Kama Sutra. Apesar dessa direção mais avançada, a Buddah era famosa por ter em seu cast grupos caretas como o Ohio Express e o 1910 Fruitgum Company. Já do lado mais garageiro, os Lemon Pipers honravam a recém criada estampa.Em 1969, com o Bubble Gum em franca decadência, Bogart se ligou que os tempos estavam ficando cada vez mais pesados. Charles Manson, Vietnã, Woodstock, o fim dos Beatles e o sucesso radiofônico de bandas proto-heavy metal como o Blue Cheer, Vanilla Fudge, Iron Butterfly e Led Zeppelin deixavam claro que Bogart teria que reformular seu selo caso quisesse acompanhar o gosto da molecada.Numa procura desesperada por uma banda pesada, o Dust correspondeu às expectativas de Bogart. Eram violentos, adolescentes e bons músicos. Outro diferencial na carreira deles foi que Richie Wise tinha um amigo de longa data, Kenny Kerner, um hábil letrista / compositor / produtor que passaria a assinar ao lado de Wise muitas composições do grupo.Com um bom contrato assinado, testaram o mercado com o compacto “Stone Woman”, uma paulada trazendo Aaronson no baixo e nos slides. A faixa pintava em duas versões, uma estéreo e outra mono. Na América do início da década de 70, quase nenhum outro grupo era tão pesado como o Dust. Isso ficou claro quando, em 1971, saiu o primeiro e homônimo disco do trio.Na capa criada por Domenic, uma foto com três crânios de verdade, chocava quem passava desapercebido pelas prateleiras das lojas, habituadas a expor discos de Carly Simon e Carole King.Pauladas faziam jus à capa como “Chasin’ Ladies”, “Stone Woman”, “Love me Hard” e a instrumental composta por Kenny Aaronson, “Loose Goose”, uma faixa à la Motörhead em pleno ano de 1971! Alguns podem até jurar que Lemmy ouviu muito essa música antes de formar seu power trio em 1975.Na contracapa do elepê, um camelo ressaltava o lado mais progressivo do Dust, uma alusão clara a faixa “From a Dry Camel”, quase dez minutos de pura e pesada orgia psicodélica. “Goin’ Easy” capricha no blues (alguém aí falou em Foghat?) e “Often Shadows Felt” aposta numa melancolia esperta, criando um belo clima para a excelente estréia. Fracasso total de vendas, o disco serviu mais para colocar a banda numa tour com o Alice Cooper Group e entrar para a história como o primeiro álbum a trazer um crânio na capa.Marc era apenas um garoto (16 anos), então era difícil agendar shows fora de Nova York. Alguns bares não permitiam menores em cima do palco. Isso dificultou bastante as “gigs” do Dust.Com Wise e Kerner cada vez mais esfuziantes e dedicados às novas técnicas de produção e gravação, o segundo disco estava sendo gerado com muito mais cuidado, tempo e esmero. O Bell Studios, em Nova York, foi novamente utilizado e no começo de 1972 saiu Hard Attack, um verdadeiro ataque sonoro!O trio contava dessa vez com um tecladista de apoio em algumas faixas, Fred Singer, líder do grupo obscuro Thog. Arranjos de cordas foram conduzidos por um tal de Larry Wilcox (será que é o do Chip’s?).Apesar de tanta pompa e calmaria demonstrada em temas como “Thusly Spoken”, “How Many Horses” e “I Been Thinkin”, o peso marca presença de forma mastodôntica em “Ivory”, “Learning To Die”, “Pull Away/So Many Times” e “Suicide”, essas duas últimas trazendo um primor de atuação do baixista Kenny Aaronson, sem dúvida um dos maiores baixistas da história do hard setentista. Com tantos problemas e dívidas, encerraram as atividades naquele mesmo ano, não muito depois do lançamento de Hard Attack. Neil Bogart criou uma gravadora totalmente sua, a Casablanca, e descobriu uma enorme fonte de renda, o Kiss, o tão procurado grupo pesado que lhe traria fama e fortuna. Para produzir os dois primeiros discos da banda, ninguém melhor do que Richie Wise e Kenny Kerner (no Hotter Than Hell eles arruinaram todo o prestígio que tinham com Bogart, gravando o disco de forma amadora e desleixada, deixando a mixagem até com uma leve falha na rotação, mas isso é assunto para outra matéria).Kenny Aaronson foi tocar com o Stories e depois se tornou músico requisitado no circuito roqueiro norte-americano, passando pelas bandas de Leslie West, Rick Derringer, Edgar Winter, Bob Dylan, Billy Squier, Sammy Hagar e Billy Idol. Teve até uma passagem meteórica pelo Foghat e pelo Blue Öyster Cult.Depois do fim do Dust, Marc Bell gravou um disco com o Estus, outro desconhecido grupo dos EUA que ficou somente num disco de estréia de 1973. Passou a acompanhar alguns blueseiros malditos até virar punk e fazer um teste para substituir Billy Murcia nos New York Dolls (Murcia tinha morrido de uma overdose no meio da primeira tour inglesa dos rapazes). Não descolou o cargo, indo parar na banda de Wayne County (rocker-transformista, cuja história serviu como base para o filme Hedwig – Nasce Uma Estrela). Depois Marc foi tocar com Richard Hell, outro ícone da cena punk nova-iorquina, até ser escalado para os Ramones em 1978, mudando seu nome para Marky Ramone. Dois excelentes álbuns e pouco mais de três anos de atividade foram suficientes para colocar o Dust em lugar de destaque no rock, principalmente para quem curte desbravar o estilo mais a fundo e refletir sobre como um grupo tão bom pode ter passado completamente batido aos ouvidos da época.
Essa eu duvido que você sabia...
# Gene Simmons, do Kiss. afirmou publicamente que roubou de Richie Wise a famosa careta com a língua de fora, uma de suas marcas registradas. Richie tinha essa mania e em todo show do Dust ele se apresentava com o linguão de fora. Simmons, dono de uma língua avantajada e fanzaço do Dust não deixou barato, imitando os hábitos de seu amigo-produtor.
# Richie Wise estava num show do Experience no Fillmore East, em 1968, e no fim do espetáculo, Hendrix espatifou sua guitarra e jogou os destroços para os presentes. Um deles era Richie Wise, que acabou ficando com os captadores da guitarra de Hendrix. O mais curioso é que Wise acoplou essas relíquias na sua própria Gibson SG e gravou os dois álbuns do Dust bem como fez todos os shows do trio com a “captação sagrada” do negão...
# No começo de carreira, adolescentes, os caras do Dust começaram a fazer alguns shows e não tinham grana para equipamento. O jeito era sair caçando na casa de amigos e levar tudo para o palco, que parecia um Frankenstein, devido a tantos modelos diferentes de caixas, cabeçotes, monitores, microfones, guitarras e baixos.
# O famoso fotógrafo Bob Gruen (responsável pelas fotos internas do disco Hard Attack) declarou que o Dust sempre foi uma de suas bandas preferidas. Ele acompanhou toda sua trajetória e garantiu que em 1971 o som pesado mais aterrorizador não vinha da Inglaterra com o Sabbath, mas sim, dos porões de Nova York ao som do Dust. Um dos primeiros trabalhos de Gruen pode ser conferido no encarte do vinil Hard Attack, de 1972.
# O artista responsável pela histórica capa de Hard Attack é Frank Frazetta, cartunista também responsável por uma série de gibis do Conan, o Bárbaro.
# Falando em Conan, o Manowar copiava o Dust em praticamente tudo. Desde o visual “Conan” até o timbre dos instrumentos. O baixista Joey De Maio confessou que adora o trio e que o som de baixo tirado pelo Rickenbacker de Kenny Aaronson, em músicas como “Suicide”, lhe tirou o sono durante um bom tempo. O timbre do Rickembacker de Kenny também influenciou gente como Lemmy, do Motörhead, basta ouvir “Loose Goose”, do primeiro Dust, para sacar.
# Em algumas enciclopédias roqueiras, consta um registro ao vivo do Dust, que chegou até ser editado em formato vinil, porém ele é pirata e de péssima qualidade sonora. Trata-se de uma apresentação no Brooklyn de 19/11/1971, em que o trio quebra tudo e mostra até três composições inéditas, provavelmente temas que estariam no terceiro disco que não vingou.
Bento Araújo nasceu em 1976. É jornalista, adora a música dos anos 60 e 70, é o editor-chefe do Poeira Zine, a única publicação do país dedicada à música dos bons tempos, e ainda tira uma onda tocando contrabaixo pela noite paulistana. www.poeirazine.com.br
Clique aqui para baixar esse petardo!!!
Obs: começem a audição por "Suicide" no último volume para entenderem a proposta da bolacha...
2 comentários:
puta q p****, esse DUST é muito bom. Já conhecia a bolacha, mas vc se inspirou na postagem, ainda não li por completo, mas a principio ficou ótimo o texto. e Pra quem curtiu a arte da capa, esses desenhos são feitos pelo fódão Frank Frazetta. Abração velho pinças. Hey how, lets go!!!
Veja aí o link da arte do frank: http://frazettaartgallery.com/gallery/HTML/books.html
Massa demais ....mas aqui, quem é vc mesmo???é vc Cebolinha???hehehe...abraços
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